Romance
'''Romance''' é um dos gêneros mais conhecidos da
literatura. Herdeiro da Poesia épica|epopéia , é tipicamente um gênero do modo narração|narrativo , assim como a
novela e o
conto.
A distinção entre romance e novela não é clara, mas costuma-se definir que no romance há um paralelo de várias ações, enquanto na novela há uma concatenação de ações individualizadas. No romance uma
personagem pode surgir em meio a história e desaparecer depois de cumprir sua função. Outra distinção importante é que no romance o final é um enfraquecimento de uma combinação e ligação de elementos heterogêneos, não o clÃmax .
Há de notar que o
romance tornou-se gênero preferencial a partir do
Romantismo, por isso ficando o termo ''romance'' associado a estes. Entretanto o
realismo teria no romance sua base fundamental, pois apenas este permitia a minúcia descritiva, que exporia os problemas sociais.
História
Surgimento
Considera-se que o romance nasceu no inÃcio do século XVII, sendo o precursor deste gênero o
Dom Quixote de La Mancha. Na tentativa de parodiar a
novela de
cavalaria,
Miguel de Cervantes não só escreveu um dos grandes clássicos da literatura, como ajudou a firmar as pernas daquele que viria substituir a epopéia , gênero que agonizava e desapareceria no século XVIII, com o advento da era
industrial. O romance é, portanto, a epopéia
burguesa moderna, segundo
Hegel.
Estudiosos do assunto dividem a modernidade literatura|literária em três fases: a primeira vai do inÃcio do século XVI ao fim do século XVIII. Esta fase tem como pano de fundo a Renascença , desencadeando uma grande revolução intelectual e artÃstica. A segunda fase se inicia com a Revolução Francesa, chegando à segunda guerra mundial. Este perÃodo foi comandado pela expansão industrial, pela ascensão e consolidação da burguesia. A produção arte|artÃstica se intensifica: letras, artes plásticas, ensaios polÃticos e filosofia|filosóficos etc. A terceira fase tem inÃcio no pós-guerra chegando aos nossos dias. É a vez das vanguardas, que buscam oxigenar todos os setores das
artes, afrontam normas etc.
Modernidade
O romance chega à modernidade com Honoré de Balzac|Balzac e à plenitude com
Proust,
Joyce,
Faulkner. A partir destes últimos a ordem cronologia|cronológica é desfeita: passado, presente e futuro são fundidos.
A partir de meados deste século intensifica-se a discussão em torno de uma provável crise do romance, sua possÃvel morte. Essa morte teria ocorrido por volta dos anos 50: Na França Alain Robbe-Grillet ,
Claude Simon,
Robert Pinget,
Nathalie Sarraute,
Marguerite Duras,
Michel Butor, entre outros, rejeitam o conceito de romance cuja função é contar uma história e delinear personagens conforme as convenções realistas do século XIX ; transgridem também outros valores do romance tradicional: tempo, espaço, ação, repúdio à noção de verossimilhança etc.
Sartre diz que ao destruÃrem o romance, esses escritores, na verdade, estão renovando-o, principalmente com a influência do
cinema. É o ''noveau roman'' sacudindo as bases tradicionais da
literatura.
De qualquer forma, a idéia do fim das coisas não é nova; no século passado
Hegel acreditava que a História chegara ao fim. Hoje prega-se o fim de praticamente tudo: da ciência, da economia, da história, do dinheiro, da literatura, e até o fim do mundo. Uma coisa é certa: essa pregação sobre o fim de tudo tem a ver com o momento histórico: estamos no fim de uma década , de um século e de um milênio .
Em 1936 os Estados Unidos viviam a época clássica do cinema falado. Antes de ser influenciado pelo cinema, o romance influenciou-o; ao ponto de, nas décadas de 30 e 40, a indústria cinematográfica ter privilegiado os filmes narrativos e grandes romancistas terem sido contratados pelos estúdios para escreverem roteiros. Mesmo assim em 1936
Scott Fitzgerald escrevia: "vi que o romance, que na minha maturidade era o meio mais forte e flexÃvel de transmitir pensamento e emoção de um ser humano para outro, estava ficando subordinado a uma arte mecânica... só tinha condições de refletir os pensamentos mais batidos, as emoções mais óbvias. Era uma arte em que as palavras eram subordinadas à s imagens..." Fitzgerald foi o primeiro escritor a perceber que o romance estava sendo suplantado pelo cinema, mas continuou acreditando que, como arte, o romance sempre seria superior.
Antes disso, na década de 20, com a publicação do Ulisses, passou-se a afirmar que o livro de Joyce era o ápice do romance, que depois dele o romancista deveria ater-se ao mÃnimo, outros diziam que Ulisses era a paródia final do romance, como quem assina embaixo da frase de
Kierkegaard: Toda fase histórica termina com a paródia de si mesma.
Nos anos 60
Marshall McLuhan afirmou que os escritores eram uma espécie em vias de extinção; disse McLuhan: "já não serve para nada escrever e publicar livros". Tudo isso por causa do avanço da eletrônica, que tornou a comunicação muito rápida entre as pessoas, ao ponto de dispensar, segundo ele, o jornal, o livro etc.
No Brasil os anos 50 foram férteis: 1956, por exemplo, é considerado um dos grandes marcos literários do paÃs; foram publicados naquele ano O encontro marcado, de
Fernando Sabino; Doramundo, de
Geraldo Ferraz; Vila dos Confins, de Mário Palmério e Grande Sertão: veredas, de Guimarães Rosa . Ainda desta década é Gabriela, Cravo e Canela (58), de
Jorge Amado. A trilogia O tempo e o vento, de Érico VerÃssimo , teve seu primeiro volume, O continente, publicado em 49 e O retrato em 51.
Crise do Romance
A verdade é que já em 1880 falava-se em crise do romance. Naquele ano foi feito na França uma enquete sobre o assunto e
Jules Renard disse que o romance havia morrido. E quem estava em atividade naquela época? Émile Zola|Zola , André Gide , Valéry ; mais adiante surgiriam Proust, Joyce,
Kafka,
Robert Musil,
Machado de Assis... Numa entrevista, Gabriel Garcia-Márquez reitera sua crença no gênero: "se você diz que o romance está morto, não é o romance, é você que está morto".
Justamente quando se discutia se os recursos do romance estariam realmente esgotados, se seus dias estavam mesmo contados, surge o que ficou conhecido como o boom da literatura latino-americana: Julio Cortázar ,
Vargas Llosa, Gabriel Garcia-Márquez,
Carlos Fuentes,
Cabrera Infante,
Miguel Angel Asturias,
Alejo Carpentier etc. Era o descobrimento do realismo mágico.
Na verdade o romance sempre esteve ameaçado. Ele mesmo um dos filhos da revolução industrial, se viu diante da concorrência de outros irmãos: o desenvolvimento do jornalismo, o
cinema, o rádio (comunicação)|rádio , a
TV; e mais recentemente os computadores, a Internet etc. O que se tem visto, no entanto, são os rivais se transformarem em aliados do romance: a imprensa escrita veio influenciar e divulgar a literatura, com o cinema a mesma coisa acontece. A Internet também vem se transformando numa divulgadora da literatura.
Em Repertório, Michel Butor diz que o romance é o laboratório da narrativa. E não há espaço mais propÃcio para se fazer novas experiências do que um laboratório. Uma literatura que pretende representar o mundo só o fará se acompanhar as mudanças desse mundo. É preciso, então, mudar a própria noção de romance.
===
Metamorfose do Romance===
Que a palavra romance se desgastou ao ponto de se criar preconceitos em torno dela, isso não se discute. Há pessoas, por exemplo, que acreditam que o fato de não lerem romances é um sintoma de intelectualidade. Na maioria das vezes, entretanto, quando se diz eu não leio romance está-se querendo dizer eu não leio prosa de ficção. Assim o preconceito se espalha para a literatura em geral.
Outra coisa indiscutÃvel é o fato de o romance não ocupar mais o mesmo espaço que ocupou até o inÃcio deste século. Michel Butor diz que é preciso compreender que toda invenção literária, hoje em dia, produz-se no interior de um ambiente já saturado de literatura. Para
Henry James o romancista é alguém para quem nada está perdido. Para
Mishima a literatura é uma flor imperecÃvel. Para
Barthes a única verdadeira crise do romance acontece quando o escritor repete o que já foi dito ou quando deixa de escrever.
Vivemos numa época em que todos os valores estão em transição, novas realidades surgem rapidamente. Isso exige mudanças estéticas no romance; assim ele tem se metamorfoseado ao longo de sua existência. E metamorfose não é morte, é transformação. Viva o
romance!
Grandes romances da literatura mundial
*
1600:
Dom Quixote, de
Miguel de Cervantes
*
1760:
Tristram Shandy,
Laurence Sterne
*
1762: Nouvelle Héloïse , de Jean-Jacques Rousseau
*
1774:
Os Sofrimentos do Jovem Werther, de
Goethe
*
1811: Razão e Sensibilidade , de
Jane Austen
*
1819: Ivanhoé , de
Walter Scott
*
1830:
O vermelho e o Negro, de
Stendhal
*
1836:
A Voz do Profeta, de
Alexandre Herculano
*
1856:
Madame Bovary, de
Gustave Flaubert
*
1861: Grandes Esperanças , de
Charles Dickens
*
1862: Les Misérables|Os Miseráveis , de
Victor Hugo
*
1865:
O Jogador, de Dostoiévski
*
1866:
Crime e Castigo, de Dostoiévski
*
1877:
Anna Karenina, de
Leon Tolstoi
*
1881: Memórias Póstumas de Brás Cubas , de
Machado de Assis
*
1888:
Os Maias, de Eça de Queirós
*
1889:
Dom Casmurro, de
Machado de Assis
*
1900:
A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós
*
1938: Vidas Sêcas|Vidas Secas , de
Graciliano Ramos
*
1949:
1984, de
George Orwell
*
1955:
Lolita, de
Vladimir Nabokov
*
1956: Grande Sertão: Veredas , de Guimarães Rosa
*
literatura
*
novela
*
conto
Fontes
* Os subúrbios da criação, Flávio M. da Costa
* Letras francesas: teoria do novo romance in De fato e de ficção, Gore Vidal
* Dicionário de termos literários, Massaud Moisés
* Dez grandes escritores, W.H. Auden
* Repertório, Michel Butor
* Quem faz cinema? in De fato e de ficção, Gore Vidal
* Os escritores e seus fantasmas, Ernesto Sábato
* A era da suspeita, Nathalie Sarraut
* Romance hispano-americano, Bella Jozef
* A ascensão do romance, Ian Watt
* Aspectos do romance, E.M. Forster
* O desafio da criação, Julieta de Godoy Ladeira
* O livro dos insultos de H.L. Mencken, H.L. Mencken.
categoria:Literatura
be:Ð?авÑ?ла
bg:Роман (литература)
ca:Novel·la
cs:Román
cy:Nofel
da:Roman
de:Roman
es:Novela
en:Novel
eo:Romano
fa:رمان
fr:Roman (littérature)
ga:Úrscéal
gl:Novela
he:רומן
it:Romanzo
ko:소설
nl:Roman
no:Roman
pl:Nowela
id:Novel
ja:�説
ru:Роман (жанр)
sl:Roman
fi:Romaani
sv:Roman
th:วรรณ�รรม
tr:Roman
wa:Roman
zh:�说 só tinha condições de refletir os pensamentos mais batidos, as emoções mais óbvias. da Costa
* Letras francesas: teoria do novo romance in De fato e de ficção, Gore Vidal
* Dicionário de termos literários, Massaud Moisés
* Dez grandes escritores, W.H. E não há espaço mais propÃcio para se fazer novas experiências do que um laboratório. Para
Mishima a literatura é uma flor imperecÃvel. Mesmo assim em 1936
Scott Fitzgerald escrevia: "vi que o romance, que na minha maturidade era o meio mais forte e flexÃvel de transmitir pensamento e emoção de um ser humano para outro, estava ficando subordinado a uma arte mecânica... Herdeiro da Poesia épica|epopéia , é tipicamente um gênero do modo narração|narrativo , assim como a
novela e o
conto.
A distinção entre romance e novela não é clara, mas costuma-se definir que no romance há um paralelo de várias ações, enquanto na novela há uma concatenação de ações individualizadas. É o ''noveau roman'' sacudindo as bases tradicionais da
literatura.
De qualquer forma, a idéia do fim das coisas não é nova; no século passado
Hegel acreditava que a História chegara ao fim. Outra distinção importante é que no romance o final é um enfraquecimento de uma combinação e ligação de elementos heterogêneos, não o clÃmax .
Há de notar que o
romance tornou-se gênero preferencial a partir do
Romantismo, por isso ficando o termo ''romance'' associado a estes. É preciso, então, mudar a própria noção de romance.
===
Metamorfose do Romance===
Que a palavra romance se desgastou ao ponto de se criar preconceitos em torno dela, isso não se discute. Ele mesmo um dos filhos da revolução industrial, se viu diante da concorrência de outros irmãos: o desenvolvimento do jornalismo, o
cinema, o rádio (comunicação)|rádio , a
TV; e mais recentemente os computadores, a Internet etc. Mencken, H.L. A trilogia O tempo e o vento, de Érico VerÃssimo , teve seu primeiro volume, O continente, publicado em 49 e O retrato em 51.
Crise do Romance
A verdade é que já em 1880 falava-se em crise do romance. A partir destes últimos a ordem cronologia|cronológica é desfeita: passado, presente e futuro são fundidos.
A partir de meados deste século intensifica-se a discussão em torno de uma provável crise do romance, sua possÃvel morte. A terceira fase tem inÃcio no pós-guerra chegando aos nossos dias. Ainda desta década é Gabriela, Cravo e Canela (58), de
Jorge Amado. Hoje prega-se o fim de praticamente tudo: da ciência, da economia, da história, do dinheiro, da literatura, e até o fim do mundo. Viva o
romance!
Grandes romances da literatura mundial
*
1600:
Dom Quixote, de
Miguel de Cervantes
*
1760:
Tristram Shandy,
Laurence Sterne
*
1762: Nouvelle Héloïse , de Jean-Jacques Rousseau
*
1774:
Os Sofrimentos do Jovem Werther, de
Goethe
*
1811: Razão e Sensibilidade , de
Jane Austen
*
1819: Ivanhoé , de
Walter Scott
*
1830:
O vermelho e o Negro, de
Stendhal
*
1836:
A Voz do Profeta, de
Alexandre Herculano
*
1856:
Madame Bovary, de
Gustave Flaubert
*
1861: Grandes Esperanças , de
Charles Dickens
*
1862: Les Misérables|Os Miseráveis , de
Victor Hugo
*
1865:
O Jogador, de Dostoiévski
*
1866:
Crime e Castigo, de Dostoiévski
*
1877:
Anna Karenina, de
Leon Tolstoi
*
1881: Memórias Póstumas de Brás Cubas , de
Machado de Assis
*
1888:
Os Maias, de Eça de Queirós
*
1889:
Dom Casmurro, de
Machado de Assis
*
1900:
A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós
*
1938: Vidas Sêcas|Vidas Secas , de
Graciliano Ramos
*
1949:
1984, de
George Orwell
*
1955:
Lolita, de
Vladimir Nabokov
*
1956: Grande Sertão: Veredas , de Guimarães Rosa
*
literatura
*
novela
*
conto
Fontes
* Os subúrbios da criação, Flávio M. Naquele ano foi feito na França uma enquete sobre o assunto e
Jules Renard disse que o romance havia morrido. A Internet também vem se transformando numa divulgadora da literatura.
Em Repertório, Michel Butor diz que o romance é o laboratório da narrativa. O romance é, portanto, a epopéia
burguesa moderna, segundo
Hegel.
Estudiosos do assunto dividem a modernidade literatura|literária em três fases: a primeira vai do inÃcio do século XVI ao fim do século XVIII. Para
Henry James o romancista é alguém para quem nada está perdido. Assim o preconceito se espalha para a literatura em geral.
Outra coisa indiscutÃvel é o fato de o romance não ocupar mais o mesmo espaço que ocupou até o inÃcio deste século. Este perÃodo foi comandado pela expansão industrial, pela ascensão e consolidação da burguesia.
'''Romance''' é um dos gêneros mais conhecidos da
literatura. A produção arte|artÃstica se intensifica: letras, artes plásticas, ensaios polÃticos e filosofia|filosóficos etc. Auden
* Repertório, Michel Butor
* Quem faz cinema? in De fato e de ficção, Gore Vidal
* Os escritores e seus fantasmas, Ernesto Sábato
* A era da suspeita, Nathalie Sarraut
* Romance hispano-americano, Bella Jozef
* A ascensão do romance, Ian Watt
* Aspectos do romance, E.M. Na maioria das vezes, entretanto, quando se diz eu não leio romance está-se querendo dizer eu não leio prosa de ficção. Na tentativa de parodiar a
novela de
cavalaria,
Miguel de Cervantes não só escreveu um dos grandes clássicos da literatura, como ajudou a firmar as pernas daquele que viria substituir a epopéia , gênero que agonizava e desapareceria no século XVIII, com o advento da era
industrial. A segunda fase se inicia com a Revolução Francesa, chegando à segunda guerra mundial. Era o descobrimento do realismo mágico.
Na verdade o romance sempre esteve ameaçado. É a vez das vanguardas, que buscam oxigenar todos os setores das
artes, afrontam normas etc.
Modernidade
O romance chega à modernidade com Honoré de Balzac|Balzac e à plenitude com
Proust,
Joyce,
Faulkner. Tudo isso por causa do avanço da eletrônica, que tornou a comunicação muito rápida entre as pessoas, ao ponto de dispensar, segundo ele, o jornal, o livro etc.
No Brasil os anos 50 foram férteis: 1956, por exemplo, é considerado um dos grandes marcos literários do paÃs; foram publicados naquele ano O encontro marcado, de
Fernando Sabino; Doramundo, de
Geraldo Ferraz; Vila dos Confins, de Mário Palmério e Grande Sertão: veredas, de Guimarães Rosa . Para
Barthes a única verdadeira crise do romance acontece quando o escritor repete o que já foi dito ou quando deixa de escrever.
Vivemos numa época em que todos os valores estão em transição, novas realidades surgem rapidamente. Essa morte teria ocorrido por volta dos anos 50: Na França Alain Robbe-Grillet ,
Claude Simon,
Robert Pinget,
Nathalie Sarraute,
Marguerite Duras,
Michel Butor, entre outros, rejeitam o conceito de romance cuja função é contar uma história e delinear personagens conforme as convenções realistas do século XIX ; transgridem também outros valores do romance tradicional: tempo, espaço, ação, repúdio à noção de verossimilhança etc. E metamorfose não é morte, é transformação. O que se tem visto, no entanto, são os rivais se transformarem em aliados do romance: a imprensa escrita veio influenciar e divulgar a literatura, com o cinema a mesma coisa acontece. Entretanto o
realismo teria no romance sua base fundamental, pois apenas este permitia a minúcia descritiva, que exporia os problemas sociais.
História
Surgimento
Considera-se que o romance nasceu no inÃcio do século XVII, sendo o precursor deste gênero o
Dom Quixote de La Mancha. Mencken.
categoria:Literatura
be:Ð?авÑ?ла
bg:Роман (литература)
ca:Novel·la
cs:Román
cy:Nofel
da:Roman
de:Roman
es:Novela
en:Novel
eo:Romano
fa:رمان
fr:Roman (littérature)
ga:Úrscéal
gl:Novela
he:רומן
it:Romanzo
ko:소설
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pl:Nowela
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ru:Роман (жанр)
sl:Roman
fi:Romaani
sv:Roman
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tr:Roman
wa:Roman
zh:�说 . Numa entrevista, Gabriel Garcia-Márquez reitera sua crença no gênero: "se você diz que o romance está morto, não é o romance, é você que está morto".
Justamente quando se discutia se os recursos do romance estariam realmente esgotados, se seus dias estavam mesmo contados, surge o que ficou conhecido como o boom da literatura latino-americana: Julio Cortázar ,
Vargas Llosa, Gabriel Garcia-Márquez,
Carlos Fuentes,
Cabrera Infante,
Miguel Angel Asturias,
Alejo Carpentier etc. Uma literatura que pretende representar o mundo só o fará se acompanhar as mudanças desse mundo.
Sartre diz que ao destruÃrem o romance, esses escritores, na verdade, estão renovando-o, principalmente com a influência do
cinema. Há pessoas, por exemplo, que acreditam que o fato de não lerem romances é um sintoma de intelectualidade. Isso exige mudanças estéticas no romance; assim ele tem se metamorfoseado ao longo de sua existência. Era uma arte em que as palavras eram subordinadas às imagens..." Fitzgerald foi o primeiro escritor a perceber que o romance estava sendo suplantado pelo cinema, mas continuou acreditando que, como arte, o romance sempre seria superior.
Antes disso, na década de 20, com a publicação do Ulisses, passou-se a afirmar que o livro de Joyce era o ápice do romance, que depois dele o romancista deveria ater-se ao mÃnimo, outros diziam que Ulisses era a paródia final do romance, como quem assina embaixo da frase de
Kierkegaard: Toda fase histórica termina com a paródia de si mesma.
Nos anos 60
Marshall McLuhan afirmou que os escritores eram uma espécie em vias de extinção; disse McLuhan: "já não serve para nada escrever e publicar livros". Uma coisa é certa: essa pregação sobre o fim de tudo tem a ver com o momento histórico: estamos no fim de uma década , de um século e de um milênio .
Em 1936 os Estados Unidos viviam a época clássica do cinema falado. Antes de ser influenciado pelo cinema, o romance influenciou-o; ao ponto de, nas décadas de 30 e 40, a indústria cinematográfica ter privilegiado os filmes narrativos e grandes romancistas terem sido contratados pelos estúdios para escreverem roteiros. Michel Butor diz que é preciso compreender que toda invenção literária, hoje em dia, produz-se no interior de um ambiente já saturado de literatura. No romance uma
personagem pode surgir em meio a história e desaparecer depois de cumprir sua função. E quem estava em atividade naquela época? Émile Zola|Zola , André Gide , Valéry ; mais adiante surgiriam Proust, Joyce,
Kafka,
Robert Musil,
Machado de Assis... Esta fase tem como pano de fundo a Renascença , desencadeando uma grande revolução intelectual e artÃstica. Forster
* O desafio da criação, Julieta de Godoy Ladeira
* O livro dos insultos de H.L